Como foi o surgimento do Heavy Metal? Foi paulera, meu chapa!

Você sabe como foi o surgimento do Heavy Metal no mundo? Foi em 1969 que mudanças incríveis estavam para acontecer no universo musical, mais especificamente no rock. Como por exemplos os Beatles que estavam terminando sua existência com o lançamento de sua última obra, “Abbey Road” (posteriormente ainda sairia “Let It Be”, mas já com a banda dissolvida), o The Who nos entregava sua magnífica ópera-rock “Tommy” e os incríveis Rolling Stones, que ainda enfrentavam a ressaca após a misteriosa morte de Brian Jones, realizaram um show animal e gratuito no autódromo de Altamont e lançavam “Let It Bleed”.

Deep Purple - Como foi o surgimento do Heavy Metal
Deep Purple – Como foi o surgimento do Heavy Metal

E foi nessa mesmo ano que o festival Woodstock marcava o auge e também o início da decadência do movimento flower-power da contracultura hippie. Falamos sobre o Woodstock em um post muito louco! Clique e confira. E foi nessa mesma época que rolava uma batalha extremamente sangrenta e crue no Vietnã e ao mesmo tempo em que a guerra fria vivia seus dias mais severos. Em meio a dias tão turbulentos repleta de sofrimentos, começava a surgir no cenário musical algumas bandas com uma sonoridade mais agressiva, que se destacava no meio e que são conhecidas até hoje como os pilares do heavy metal. Dentre elas destaque para Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple, autoras de discos que se tornariam praticamente “bíblias” da mais pesada vertente do rock and roll, o Heavy Metal.

Deep Purple - Como foi o surgimento do Heavy Metal
Deep Purple – Como foi o surgimento do Heavy Metal

O INÍCIO

Na década de 1980 o termo heavy metal ganhou uma força absurda e monstruosa, com o surgimento da “New Wave Of British Heavy Metal”. Mas na verdade a história do gênero musical é bem mais antiga do que a gente imagina. Em relação à mídia, embora o termo “música pesada” (“heavy music”) já houvesse sido usado antes, a primeira vez registrada da expressão “heavy metal” foi usada em um review de Mike Saunders sobre o álbum “Safe As Yesterday Is”, do Humble Pie, publicado na revista Rolling Stone em sua edição de novembro de 1970. Musicalmente, o metal começou ainda um pouco antes, com algumas opiniões controversas a respeito disso.

Para muitos o marco inicial do metal aconteceu em 1968, quando os Beatles gravaram “Helter Skelter” em seu famoso e controverso Álbum Branco. Os motivos que dão base a esta tese são muitos: as guitarras saturadas e estridentes, o vocal “berrado”, a própria levada da música. Na verdade, a canção é sobre um tobogã popular nos parques da Inglaterra, onde se escorregava de forma meio descontrolada, e foi uma espécie de resposta ao The Who, cujo guitarrista Pete Townshend havia dito em uma entrevista que sua canção “I Can See For Miles” era a mais barulhenta já gravada. Mas isso já é assunto para uma outra longa e brisada história…

Existem pessoas que dizem que o metal tem outra origem. Ainda naquele ano, pela primeira vez se usou o termo heavy metal em uma música, na letra da lendária “Born To Be Wild”. Inicialmente, a canção escrita por Mars Bonfire (nome real do guitarrista Dennis Edmonton), quando ainda integrava o The Sparrows, chegou a ser oferecida a outros artistas, como o grupo The Human Expression, mas a honra de gravá-la acabou ficando mesmo para sua nova banda, o Steppenwolf. Tornou-se famosa ao ser escolhida como música tema do filme “Sem Destino” (1969), com Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson, e seus versos comparavam o barulho da motocicleta a um trovão de metal pesado, “heavy metal thunder”. Relatos do próprio Mars dão conta de que sua inspiração para compor foi um pôster visto em uma vitrine de uma loja em Hollywood, com uma Harley Davidson na estrada e a expressão “Born To Ride” cravada no asfalto.

Se formos voltar ainda mais um pouco no tempo, temos outros momentos que são lembrados e citados também, como a primeira música a apresentar distorção nas guitarras, “You Really Got Me”, do The Kinks, de 1964 (aquela mesma posteriormente regravada pelo Van Halen em seu disco de estréia). Muitos especialistas chegam até mesmo a elencar o lendário Cream, de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, como pais do som pesado (hipótese a ser considerada, principalmente com relação às elétricas performances ao vivo do trio), bem como o próprio The Who, que além de tocar alto, quebrava tudo no palco, literalmente. Mas, por fim, todos os caminhos acabam sempre levando ao mesmo denominador comum, apontando para as três bandas que dão título a esta matéria como os grupos seminais do estilo.

DEEP PURPLE – UMA DAS PRINCIPAIS BANDAS PIONEIRAS DO ESTILO MUSICAL

Embora só tenha conhecido de fato o sucesso em 1970, o Deep Purple já tinha uma boa história pra contar e sem dúvidas é um dos principais no assunto “como foi o surgimento do Heavy Metal”. Formado em 1966, o quinteto trazia em sua formação nos primeiros trabalhos de estúdio os fundadores Ian Paice na bateria, Jon Lord nos teclados e Ritchie Blackmore nas seis cordas, tendo o time completado pelo vocalista Rod Evans e pelo baixista Nick Simper. O nome do grupo, como se sabe, foi retirado de uma antiga canção romântica que a avó de Blackmore gostava bastante. Contratados pela Harvest, gravadora subsidiária da gigante EMI, lançaram três álbuns de estúdio, “Shades Of Deep Purple”, “The Book Of Talesyn” e “Deep Purple”. Tiveram um único e modesto hit, a regravação de “Hush”, de Joe South, que fazia parte de seu primeiro trabalho – que continha ainda covers de “Help!”, dos Beatles, e “Hey Joe”, popularizada por Jimi Hendrix.

Em 1969 ocorre uma mudança crucial no histórico da banda: a entrada dos ex-membros do Episode Six, o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover, substituindo Evans e Simper. Lançam o ousado álbum ao vivo “Concert For Group And Orchestra”, gravado no Royal Albert Hall, já com a nova formação, mas não conseguem muito êxito comercial. Porém nos palcos que sua reputação era cada vez mais elogiada, com comentadas performances elétricas e contagiantes – em especial Blackmore, cada vez mais alucinado e influenciado por Jimi Hendrix, trocando de vez sua velha Gibson Semi-Acústica pela Fender Stratocaster e desenvolvendo gradativamente sua “atuação” nos extensos improvisos instrumentais, onde girava, pisava e jogava para o alto o instrumento. Como estavam prestes a lançar um novo trabalho, com a nova formação, que tal então tentar levar toda essa energia para o estúdio?

Trabalhando junto a jovens engenheiros de som, como Andy Knight, Phil McDonald e Martin Birch (que se tornaria colaborador fixo da banda naquela década, bem como do Rainbow, Whitesnake e Iron Maiden anos depois), o Purple passa a tocar e gravar “ao vivo em estúdio” e aposta suas fichas numa sonoridade mais agressiva e pesada (onde, inclusive, o órgão Hammond de Lord passou a ser ligado simultaneamente em uma caixa Leslie e em um amplificador de guitarras Marshall – ganhando seu som característico e o carinhoso apelido de “A Besta”). Destaque também para as notas altíssimas que podiam ser atingidas por Gillan, além de seu timbre espetacular, e para a ótima cozinha formada por Glover e Paice, fazendo um ótimo pano de fundo para os solos intrincados da dupla Blackmore/Lord. O resultado foi “Deep Purple In Rock”, que veio ao mundo em junho de 1970 e foi uma verdadeira porrada na cara dos mais conformistas.

A abertura ensurdecedora com “Speed King” já era garantia absoluta para incomodar qualquer vizinhança. A épica “Child In Time” até hoje é considerada uma de suas melhores músicas. Isso tudo sem falar em “Bloodsucker”, “Into The Fire”, a empolgante “Flight Of The Rat”, “Living Wreck” e a pesadíssima “Hard Lovin’ Man” (“dedicada” a Birch). Complementando tudo, uma capa inesquecível, com os rostos dos integrantes da banda substituindo os presidentes americanos no monte Rushmore. Ah sim, faltou ainda falar de “Black Night”, que havia sido lançada paralelamente como single e foi um hit absoluto, mas ficou de fora do álbum por causa da limitação de espaço enfrentada em tempos de vinil. “In Rock” merece o status de obra-prima, sem dúvida. Bruce Dickinson, por exemplo, já afirmou diversas vezes que este é seu disco favorito de todos os tempos. Jon Lord sempre cita-o como o melhor trabalho do Purple.

Mas o álbum não é uma unanimidade como o melhor disco da banda entre os fãs do quinteto: para a maioria o título fica com “Machine Head”, lançado dois anos depois (entre eles houve ainda o ótimo “Fireball”). O famigerado álbum gravado no saguão de um hotel abandonado em Montreux, na Suíça, com um estúdio móvel dos Rolling Stones, traz uma relação de sete músicas que falam por si próprias: “Highway Star”, “Pictures Of Home”, “Maybe I’m a Leo”, “Never Before”, “Smoke On The Water”, “Space Truckin’” e “Lazy”. Clássico absoluto e incontestável do rock and roll. Existe alguém no mundo que já teve uma guitarra nas mãos e nunca tentou tocar o riff de “Smoke On The Water”? O curioso é que a canção, uma espécie de diário de bordo resumido das gravações, inicialmente não foi a grande aposta do disco. Tanto que o primeiro single foi “Never Before”, que trazia em seu lado B a bela “When a Blind Man Cries”, executada até hoje nos shows da banda. Produção da própria banda, mais uma vez, sob a tutela de Martin Birch. Foi nesta turnê que o Purple gravou o antológico álbum ao vivo “Made In Japan”, outro álbum obrigatório de sua extensa discografia.

Deep Purple - como foi o surgimento do Heavy Metal
Deep Purple – como foi o surgimento do Heavy Metal

40 ANOS DE METAL

40 anos. Mesmo não sendo mais criança e já tendo cabelos grisalhos, o heavy metal continua aí, incomodando muita gente e sendo fonte de alegrias e inspiração para os seus milhões de fãs e seguidores ao redor do mundo. E mesmo com sua data de aniversário correta ainda gerando divergências e debates, é um fato a ser celebrado, com o volume bem alto, e com as mãos para o alto, fazendo os indefectíveis “chifres” do “mallochio”, tão difundido por Ronnie James Dio (essa já é mais uma outra história…).

Uma das bandas pioneiras do Heavy Metal citada nessa matéria, Deep Purple, fará shows no Brasil em dezembro de 2017 com a sua turnê The Long Goodbye Tour . Os shows ocorrerão em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba e irão promover seu último álbum – o 20º de uma história que começou lá atrás, nos anos 60 – Infinite (2017), que foi lançado em abril. Juntos, vamos poder curtir algumas músicas novas do último álbum, como “Time for Bedlam” e “Roadhouse Blues”, e fora as músicas que se tornaram verdadeiros hinos da história do rock, como “Strange Kind Of Woman”, “Highway Star” e “Smoke on the Water”. Dá tempo de se programar hein galera, não vamos vacilar e vamos brisar demais nesse show! Os ingressos custam de R$ 125 a R$ 600, podendo ser comprados pelo site da Tickets For Fun.

Deep Purple e Lynyrd Skynyrd no Brasil 2017
Deep Purple e Lynyrd Skynyrd no Brasil 2017

Fontes de pesquisa para a matéria: Wikipedia, Whiplash e Deep-Purple.com

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