Stranger Things 5: Uma Despedida Decepcionante? Analisando as Principais Críticas dos Fãs
Quando Stranger Things chegou ao seu desfecho em 31 de dezembro de 2025, com a exibição cinematográfica do episódio final “O Lado Certo Para Cima” (The Rightside Up), houve um contraste notório entre a recepção da crítica especializada e a do público. Enquanto críticos profissionais mantiveram avaliações favoráveis com 84% de aprovação no Rotten Tomatoes, o público mostrou-se muito mais cético, com apenas 57% de aprovação na mesma plataforma. Este fosso significativo revelou que nem todos os fãs que acompanharam a série por quase dez anos ficaram satisfeitos com o encerramento.
A quinta temporada de Stranger Things carregava o peso de encerrar uma das séries mais culturalmente relevantes da última década. Após mais de três anos de espera desde o final da quarta temporada, muitos espectadores tinham expectativas imensas sobre como os irmãos Duffer concluiriam as histórias de Eleven, Mike, Dustin, Will, Lucas, Max e todos os personagens que acompanharam suas vidas.
No entanto, a realidade foi mais complexa que um simples “gostei” ou “não gostei”. Uma série de críticas específicas emergiu das comunidades de fãs, revelando preocupações estruturadas sobre narrativa, ritmo, decisões criativas e até mesmo questões temáticas. Este artigo analisa as principais críticas formuladas pelos fãs e o que elas revelam sobre o final da série.
1. O Episódio Mais Mal Avaliado da Série
Um dos marcos mais preocupantes chegou quando o “Capítulo Sete: A Ponte” recebeu a nota 5,8/10 no IMDb, tornando-se oficialmente o episódio pior avaliado de toda a série. O recorde anterior pertencia ao episódio “A Irmã Perdida” da segunda temporada, com 6,0/10. Esta queda de qualidade, segundo muitos fãs, não foi coincidência.
O Capítulo Sete é um episódio fundamentalmente expositivo. Dedica praticamente toda sua extensão a explicar detalhes da trama, as motivações de Vecna, a natureza do Mundo Invertido e os planos de todas as facções envolvidas na batalha final. Enquanto especialistas reconhecem que o episódio faz bem seu trabalho de preparação narrativa, críticos de fã apontam que a execução foi pesada e repetitiva.
Como observou um crítico, o episódio sofre do “mal da maioria das histórias que se alongam demais: perda de ritmo e inconsistências típicas do final do segundo ato.” Para muitos espectadores, esta foi uma falha crítica que deveria ter sido evitada em um final de série.
2. Ritmo Problemático e Falta de Dinamismo
Uma das críticas mais frequentes entre os fãs é que a quinta temporada, como um todo, perdeu o dinamismo que caracterizava as primeiras temporadas de Stranger Things. A série original era conhecida por sua capacidade de equilibrar momentos de tensão com interlúdios emocionais e até cômicos.
Muitos fãs relatam que especialmente o Volume 1 da quinta temporada começava lentamente demais. Apenas após o episódio quatro (aproximadamente no meio da primeira metade) é que a série “decolava” narrativamente. Como um crítico da Espinof expressou, houve “um arranque decepcionante” onde a série “aposta demasiado por ser mais de lo mismo.”
O Volume 2, por sua vez, estava inchado de cenas de planejamento que, embora necessárias narrativamente, consumiam espaço precioso que poderia ter sido dedicado a momentos emocionais entre personagens ou desenvolvimentos de trama mais ágeis. Alguns espectadores sentiram que a série se arrastava deliberadamente para preencher seu formato de duas horas, em vez de contar uma história compacta e bem estruturada.
3. A Questão do “Já Vimos Tudo Isto”
Outra crítica significativa refere-se ao sentimento de que a quinta temporada fazia constantemente referência às temporadas anteriores em vez de criar novos momentos memoráveis. Críticos descreveram a temporada final como uma série de “Remember when?” moments — momentos que apenas lembravam os fãs do que havia acontecido antes.
Isto é particularmente problemático em uma série final. Esperava-se que a quinta temporada trouxesse uma nova dimensão narrativa, novos conflitos, novas revelações. Em vez disso, muitos sentiram que a série simplesmente “fechava arcos” em vez de contar uma boa história.
Como descreveu um crítico do Rotten Tomatoes, Stranger Things havia se transformado em uma “narrativa indiferente, desinspiradora e unidirecional.” Este sentimento de desgaste é especialmente preocupante porque Stranger Things sempre foi aclamada por sua capacidade de reinventar-se temporada após temporada.
4. Excesso de Personagens e Falta de Foco
A quinta temporada mantinha mais de uma dúzia de personagens em papéis significativos na trama principal. Enquanto a série sempre se gabava de sua capacidade de desenvolver múltiplas linhas narrativas de forma equilibrada, muitos fãs sentiram que isto finalmente alcançou seu limite.
Personagens como Kali (a irmã de Eleven com poderes mentais) apareciam extensivamente, levando alguns críticos a descrever suas cenas como “tedioso” e “mantendo-o longe da fábrica de fogos de artifício” — uma referência ao fato de que essas cenas consumiam tempo que muitos acreditavam deveria ter sido dedicado aos personagens principais.
Além disto, a presença contínua do exército americano, que perseguia Eleven ao longo de toda a série, permanecia como um elemento de trama que muitos consideravam desnecessário na reta final. Como observou um crítico, o exército “está ainda aqui quando não precisa estar. Ainda causando problemas. Ainda nunca aprendendo uma única lição.”

5. A Polêmica do Coming Out de Will Byers
Um dos momentos mais controversos da quinta temporada foi a cena em que Will Byers, finalmente, expressa abertamente sua sexualidade para o grupo. Embora sua homossexualidade tivesse sido subtexto durante toda a série, muitos fãs criticaram como este momento foi executado.
A crítica central não era que Will fosse gay ou que saísse do armário — a série sempre abraçou temas LGBTQ+. A crítica era sobre o contexto. Como observou a USA Today, em um momento em que a série estava se aproximando de seu clímax narrativo, quando o mundo estava literalmente sendo ameaçado pela colisão de dimensões, dedicar uma cena substancial ao coming out de Will parecia fora de lugar e que “termina sendo decepcionante e incômodo.”
Muitos fãs expressaram frustração porque o momento interrompia a tensão da história. Como um crítico em X descreveu, foi como “forçar todos a ficar em uma sala para sentar-se em silêncio e depois ouvir cada palavra desconfortável que saía da boca de Will quando a maioria já sabia e não ligava porque estavam tentando salvar o mundo.”
Outros fãs, no entanto, defenderam a cena. Um espectador descreveu como “profundamente comovido” por Wills compartilhar “sua verdade com as pessoas que considera sua família” em um contexto dos anos 1980, quando “ser gay ou lésbica significava sobreviver a uma caça às bruxas.”
6. Problemas com Exposição Excessiva
A quinta temporada foi constantemente criticada por seu excesso de diálogos expositivos. Personagens frequentemente verbalizavam exatamente o que estava acontecendo, por que estava acontecendo e o que significava — uma abordagem que muitos descreveram como subestimando a inteligência do público.
Alguns críticos descreveram isto como “demasiada exposição, repetição, superlotação de personagens em frame, expansão de dimensão de pesadelo, efeitos visuais turbulentos.” Este padrão de diálogos pesados e explicativos aparecia repetidamente e tirava a dramaticidade de cenas que deveriam ser mais visuais e subtis.
A série original de Stranger Things era conhecida por mostrar em vez de contar. A quinta temporada, por outro lado, frequentemente optava por ter personagens explicarem cada detalhe da trama, um desvio significativo do estilo narrativo que conquistou o público originalmente.
7. Decisões Criativas e Efeitos Visuais
Críticos profissionais também apontaram que a qualidade técnica da série havia diminuído. Como observou um crítico do Roger Ebert, enquanto o episódio final “tem tempo de execução, orçamento e urgência” de um filme, “não tem a linguagem visual dos melhores desta série ou de suas influências.”
O crítico comparou a cinematografia da série atual negativamente com as primeiras três temporadas, quando “apenas tinham uma estética muito mais forte, uma menos cluttered por CGI e iluminação ruim.” Esta observação foi ecoada por outros que sentiram que a série havia começado a depender excessivamente de efeitos especiais em vez de contar histórias através de cinematografia sutil e direção cuidadosa.
8. A Questão da Longevidade: Deveria Ter Terminado Antes?
Uma crítica mais ampla sugere que Stranger Things simplesmente se estendeu por mais tempo do que deveria. Como observou um crítico do Rotten Tomatoes, “a série provavelmente deveria ter desistido uma ou duas temporadas antes — mas nunca é fácil dizer adeus.”
Esta é uma crítica comum para séries longas que atingem grande sucesso. Há um argumento de que as primeiras temporadas estabeleceram tal alta qualidade que manter esse nível indefinidamente é praticamente impossível. Alguns fãs sentem que a série perdeu sua direção narrativa clara após a quarta temporada e que uma conclusão antes teria servido melhor à série.

9. O Destino Ambíguo de Eleven: Sacrifício ou Salvação?
O final de Eleven continua dividindo opiniões. Embora alguns críticos elogiassem a ambiguidade como um “passo final em uma curva de crescimento massivo,” outros sentiram que o final era insatisfatório de uma forma diferente.
A questão permanece: Eleven realmente morreu ao entrar no Mundo Invertido durante seu colapso? Ou, como Mike sugere, ela escapou através de uma ilusão de Kali? Esta ambiguidade intencional, que os irmãos Duffer descreveram como honrando a complexidade da jornada de Eleven, deixou muitos fãs frustrados por não oferecer um fechamento claro.
10. Nostalgia Versus Necessidade Narrativa
Um ponto final de crítica é que a quinta temporada parecia às vezes usar a nostalgia como um substituto para o desenvolvimento narrativo genuíno. Referências constantes às primeiras temporadas, revisitação de locais conhecidos e a reintrodução de personagens antigos eram agradáveis, mas muitos sentiram que isto substituía a criatividade narrativa real.
A série enfatizava “Lembrem-se quando…?” em vez de responder perguntas cruciais ou criar novos momentos inesperados. Para uma série que começou como uma aventura inovadora e arriscada, isto representava uma retirada para a segurança da fórmula estabelecida.
A Perspectiva Positiva: O Que Funcionou
É importante notar que nem todos os fãs foram negativos sobre o final. A crítica profissional manteve uma visão mais favorável, com muitos elogiando o episódio final especificamente por suas cenas de ação bem executadas e por dar a cada personagem um “momento herói.”
Roger Ebert descreveu o final como tendo “momentos de pura diversão e amizade,” comparando-o aos clássicos dos anos 1980 que inspiraram a série. A revista The Wrap descreveu a série como “tematicamente coerente, invariavelmente baseada em caracteres e bastante emocionante.”
Além disto, o fato de que a série conseguiu vender apresentações do episódio final em cinemas em toda a América demonstra o seu impacto cultural duradouro, independente das críticas específicas sobre a execução.
O Fenômeno “Game of Thrones”: Medo e Respeito
Muitos críticos observaram que os irmãos Duffer aparentemente tinham medo de repetir o final criticado de Game of Thrones. Como resultado, alguns argumentam que a série errou em direção oposta — em vez de acelerar demais e cometer erros apressados, a série se arrastou demais e perdeu momentum.
Um crítico resumiu isto bem: “Parece que lhes deu medo de não fazer o mesmo que ‘Game of Thrones’ e ir demasiado acelerados, mas é que isso os levou a fazer exatamente o oposto.”
Um Final Imperfeito Mas Significativo
Stranger Things 5 é, sem dúvida, um final divisivo. As críticas dos fãs são específicas, estruturadas e frequentemente bem fundamentadas. Problemas com ritmo, excesso de personagens, exposição pesada e decisões criativas questionáveis são questões legítimas que afetaram a experiência de muitos espectadores.
No entanto, é igualmente importante reconhecer que a série ainda entregou momentos memoráveis, cenas emocionalmente impactantes e um encerramento que, embora imperfeito, honrou a jornada de seus personagens de forma significativa.
Como um crítico sucintamente colocou: “Não confunda esta realização do tamanho de uma floresta com pilhas de folhas mortas.” Stranger Things pode não ter terminado de forma perfeita, mas seu legado como uma série que redefiniu a ficção científica televisiva permanece intacto.
Os fãs podem nitpick o final até a morte, e talvez tenham razão em muitos de seus pontos. Mas a série conseguiu fazer algo raro em nossa era de cultura fragmentada: unir milhões de pessoas em volta de uma história compartilhada, personagens memoráveis e um senso de maravilha que é cada vez mais difícil de encontrar na televisão moderna.
Stranger Things 5 pode ter sido uma despedida decepcionante para alguns, mas também foi uma despedida que deixou sua marca duradoura na cultura pop.
